"Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego da vida, e o homem passou a ser alma vivente"
Gênesis 2.7
A vida existe? Existirá enquanto o coração bater ou enquanto a mente pensar? Ou só existirá quando nem um e nem outro?
O término da vida como vivente é conceituado de morte. Mas a morte não poderá ser o fim, muito menos o começo. Então porquê morrer? Seria a morte o fim de um estágio?! Se assim fosse então qual é o fim do processo? Ou o processo é infinito? Se o processo é infinito então porquê haveriam estágios? Qual a pretensão desse estágio: "VIDA"? Se sois vivos tens vida e se pensas tens personalidade, individualidade e tendência à morte.
Na filosofia da vida, o que é mais importante saber : sobre a vida ou sobre a morte?
Seria justo usar a vida para querer saber o que será a morte, ou então, será justo viver sem saber como será a morte?
O que fazer para achar respostas à todas essas perguntas? Filosofar? Pesquisar? Viver para saber ou morrer para conhecer?
Nessa confusão tentarei colocar o meu parecer com relação a morte.
A morte como a meta da vida
O termo morte normalmente causa espanto no ser humano, óbvio que é uma questão cultural. Mas a morte é necessária para que a vida tenha sentido lógico. A morte é cumprimento, ou melhor, o fechamento da fase vida assim como o sexo é o auge de uma relação humana. A morte não pode ser vista como algo ruim, porém, em si ela é legal pois dá a vida o gosto tal como o sal dá o gosto aos alimentos.
A morte só é dor quando os humanos não tomam consciência de que ela é o capricho da vida. É ela que saboreia nossa vida com desejos e ânsia de sobrevivência, enchendo os dias com vida gloriosa, cada novo dia uma vitória, uma alegria pelo fato de sermos ainda vivos. Vivos mas todos rumando para o mesmo destino: o término.
O término é a prova da existência da vida!
Mas esse fim não será o fim absoluto, apenas o fim da vida, o fim da vida física.
Devemos sempre ter em mente que não somos apenas humanos de carne e osso. Possuímos um corpo que é mortal mas temos uma vida espiritual, uma alma que traz uma imortalidade. Cada humano é um alma, a qual possui uma persona (personalidade), uma vida única, pensamentos únicos, jamais em época alguma em lugar algum teve alguém igual a um outro. Essa individualidade expressa em cada ser não pode ser vista de forma egocêntrica mas como magnífica beleza da vida a qual aumenta nossa auto confiança e auto estima. Assim como somos únicos na vida seremos únicos na morte física, cada um morrerá no seu instante e a alma continuará a existir.
A EXTErMINAÇÃO DA MORTE
A morte como fim da vida física já não é mais a mesma, pois o avanço fantasmagórico da tecnologia e ciências tem possibilitado o retardamento dessa morte, ainda, segundo tendências das pesquisas, teremos um aumento do tempo de vida, isso devido aos descobrimentos dos ramos da genética.
Cabe perguntar-nos o porquê dessa busca incessante para o prolongamento da vida?! Vale-nos a pena viver bastante? Ou seria melhor preocuparmo-nos em viver bem?!
Recuperar uma vida jovem, que esteja morrendo por motivo acidentais, poderia ser louvável, porém, uma pessoa em fase amadurecida, que naturalmente venha a adoecer, não se pode considerar ética uma atitude de tentar prolongar essa vida, ainda mais quando essa pessoa anciã já não tiver mais consciência da realidade.
Em CTIs (Centros de Tratamento Intensivo) pode-se verificar inúmeras almas, almas apenas, existindo em um corpo já cansado de viver o qual é obrigado a manter suas funções vitais por demanda dos aparelhos.
Pergunto-me onde ficou a autonomia desse ser? Família e equipe médica decidem sobre a vida e o próprio indivíduo, que por fragilidade do corpo, não consegue mais expressar-se, nem mesmo para a morte.
Essa exterminação da morte simplesmente veio com a mudança tecno-científica e foi esquecido ou mal informada a discussão da ética e suas peculiaridades.
O ser humano tem medo da mudança, mas adora inovações, contudo, mudar da vida para a morte lhe é motivo de pânico, mas mudar o catastroficamente o curso natural das coisas lhe parece inovação!
No fundo cada ser possui dentro dele um mecanismo de inquietude, um "grilo" que não se aquieta (De onde vim? Quem sou? Para onde vou?) a única forma de aquietá-lo temporariamente é pela fé.
A ciência explica a origem a partir de teorias evolutivas, o que o espiritismo explicaria como pós-morte, teorias essas recusadas pela fé cristã a qual afirma a futura ressurreição da alma. Ambas não teriam motivos para uma busca tão incessante para o prolongamento da vida, pela lógica, ambos estão inseguros, cabe aí tomarmos uma postura sadia e viver a morte naturalmente sem tentar aboli-la.
Quem é meu assassino??
Charge
Alemão X Corda!
Um duplo enigma!
Morte provocada! Quem é o assassino? O próprio indivíduo? Porque tiraria sua vida?
Os problemas levariam ao desespero, o qual gerará a depressão para resultar em suicídio.
Consumimos diariamente toneladas e mais toneladas de produtos químicos, toxicamos nosso ar e nossas águas transbordam de poluição, aliás, estamos suicidando-nos e parece que ninguém percebe.
Mas se alguém tirar sua vida repentinamente isso é motivo de alarme e notícia, porém suicidamo-nos coletivamente e nem nos damos conta?! Ou só é válido o suicídio repentino?
Nesse jogo de viver ou morrer, quem está matando quem?
A morte provocada deveria ser motivo de preocupação para os que vivem, pois tirar a vida implica na afirmação de que ela não é digna de ser vivida. Se destruímos nosso planeta, sabendo que necessitamos dele para viver, nada mais estamos fazendo do que afirmando nosso descontentamento com a vida.
Chegamos num ponto contraditório: se estamos nos suicidando, porque temos medo da morte? Se não estamos contente com esta vida, deveríamos estar ansiosos em conhecer a morte! Ou será que o humano traz em si uma vontade de voltar no tempo e optar em não nascer?
Uma pessoa filosoficamente parada diria que tentar achar respostas para esse tipo de perguntas é loucura, mas será que loucura não é viver para se auto destruir, ou então, se auto destruindo querer viver.
Há então os que diriam que o gradativo suicídio coletivo que estamos fazendo é conseqüência do aumento da população e do conhecimento, mas então porque condenamos as atitudes dos suicidas repentinos? Não seria uma atitude de inveja para com eles por causa de sua coragem? Ou gostaríamos que eles fizessem parte da nossa morte coletiva?
A vida corre em direção à morte e não creio ser a nossa função acelerar esse processo e muito menos retardá-lo.
Se há problemas não-solucionáveis, o desespero e a depressão são solucionáveis.
Se a vida foi nos dada, acredito que somente nós podemos decidir sobre o seu término. Agora, pedir ao criador orientação de como usufruí-la da melhor maneira possível, devolver-lhe a chave do fim da vida é uma atitude de humildade e amor para com o criador o qual nos recompensará com uma vida muito melhor do que esta. Esse discurso lingüístico apela tremendamente para a fé. Este é o privilégio da fé: poder sentar-se em tronos onde a razão não pode chegar.
Morte outorgada sem direito à vida!
"Mãe! Sempre sonhei em te conhecer!
Sempre quis ver o céu azul!
Tanto teria gostado de ver o sorriso de meu pai!
Se tu soubesse mãe, como eu desejava viver mais!
Mas aquela infeliz agulha na mão de um amador
me fez jorrar meu pouco sangue que eu possuía".
Tirar a vida de outrem, quem tem esse direito? A leis que regem a civilização? A consciência do carrasco é manipulável? Porque assassinos andam soltos e continuam produzindo a morte antecipadamente?
Quando a morte é outorgada, isto é, imposta por força maior, a vida é extinta de uma forma brutesca e aberrante, sem serem respeitados a autonomia e o objetivo da vida.
O humano é um ser um tanto contraditório em suas atitudes X sentimentos, pois tem medo de morrer mas produz a morte. O oculto desejo de poder, a ganância e o orgulho próprio levam a mentalidade egocêntrica de considerar-se no direito de interferir na vida do semelhante.
A vida é uma peculiaridade de cada indivíduo e a morte é o desfecho para o cumprimento da profecia, essa morte não é triunfal para quem ainda desejava viver, eis a razão para o apelo inconsciente de almas que improrrogavelmente foram extintas da vida.
Em momentos cruciais, onde é inevitável a morte, decidir sobre a morte de quem, sem muito tempo para questionamentos, normalmente decide-se de forma instintiva, pois não há razão nem fé, há apenas o instinto natural pela sobrevivência o qual toma as decisões conforme mandar o inconsciente do indivíduo.
Como humano temos que produzir a morte para a sobrevivência, pois nossa alimentação assim requer. Mas a morte de humanos não poder ser igualada com a de animais e vegetais, pois o humano possui alma e espírito, possui uma linguagem e uma consciência que deixará de existir ao extinguirmos a vida de um humano. Se aniquilada a vida fora do processo natural, corrompe-se a ordem do processo e a linguagem enfraquecerá.
Morte desgraçada ou sem graça
A morte desgraçada é penosa para quem a vive, isto é, é saber conscientemente e notar fisicamente, a morte tirando-lhe a vida gradativamente. A dor psicológica é um filme de terror, interminável, quando um ser é desenganado pelos médicos. Um exemplo claro desse fato são os portadores de HIV em fase terminal, sua mente lúcida continua fazendo projetos e construindo sonhos, mas o corpo físico reage opostamente.
Já por outro lado, a morte súbita, acidental, está tirando a graça do morrer. Pois a mídia tem transformado a tragédia em números, ou melhor, as desgraças tornaram-se tão repetidas que já são rotina pela visão dos noticiários.
A morte neste sentido perdeu o lado ritual, morrer acidentalmente já não tem mais indiferenças, já não transpira mais o inesperado, pois representa apenas uma elevada nas estatísticas. A própria situação econômica da população colabora para este tipo de morte, uma morte sem alteração do ambiente em qual o ser vive.
No dia seguinte à morte de um indivíduo, parece que ele nem viveu neste ambiente, ou, que a presença de sua vida é indispensável e indiferente. perdeu-se aí o valor da vida. Pois se a morte não causar manifestações é lógico afirmar de que a vida não era importante.
Conclusão
Assim podemos concluir de que a morte ainda é um grande mistério para o ser humano, talvez seja isto que mais caracterize o nosso "HUMANO", isto é, a incapacidade de saber sobre o que vem após a morte. Não somos deuses, mas sim humanos vivos nessa terra com uma certeza: iremos morrer!