Mito da caverna e a sociedade
virtual
No
mito da caverga o filósofo Platão relata um grupo de pessoas que durante toda a
vida estavam acorrentados com seus rostos voltados para o fundo de uma caverna.
Estavam
de tal maneira acorrentadas que não conseguiam ver a elas próprias e nem aos
colegas de infortúnio. Atrás delas havia um fogo o qual projetava suas sobras
no funda da referida caverna.
Por
entre o fogo e os acorrentado passavam algumas outras pessoas carregando
objetos quadrados e circulares cujas sombras também eram projetadas.
Assim
acorrentados, passavam o tempo tentavam adivinhar de quem eram as vozes que
ouviam.
Um
certo dia, porém, aconteceu que um dos prisioneiros foi solto por um daqueles
carregadores de objetos.
Então
o carregador mostrou-lhe que a realidade não era constituída daquelas imagens
refletidas no fundo da caverna, mas que ela era uma projeção do próprio fogo,
dos carregadores de objetos e dos demais presos.
O rapaz solto, com os olhos meio ofuscados, no momento
assustado, não quis acreditar nessa realidade, pois até então nunca havia visto
outra coisa senão as imagens refletidas no funda da caverna.
Após algum tempo,
o carregador de objetos conduziu o rapaz para fora da caverna e mostrou-lhe a
imensidão do mundo lá fora, mostrou-lhe o sol que brilhava e refletia a sombra
da árvore no chão. Entusiasmado, o rapaz demorou a se convencer de que passara
a vida toda vendo aquela sombra e acreditando ser em elas o real e concreto.
Depois,
o rapaz voltou para o interior da caverna para transmitir aos demais presos a
nova e plena realidade por ele compreendida.
Desse
mito pode-se tirar inúmeras interpretações, devido à complexidade dos fatos,
porém, tentarei fazer uma interpretação desse mito com a virtualidade em que
estamos nos inserindo.
Considerando que, uma criança urbana desenvolve mais da
metade de seu tempo na frente do mundo virtual (TV, Computador, Video Game),
que nada mais é do que imagens refletidas através de processos eletroeletrônicos.
Podemos então fazer essa analogia, considerando as sombras vistas pelos
acorrentados no mito de Platão com as imagens das telas.
Interagindo com máquinas, a criança desenvolve suas
relações totalmente opostas àquelas tradicionalmente vivenciadas pela raça
humana.
Começa a surgir um nova pessoa que mantém relações
afetivas, sociais, culturais, mercantis, de entretenimento, com imagens e não
com pessoas de fato, de tal modo que aquelas imagens tornam-se sua realidade.
As antigas brincadeiras (pega-pega, esconde-esconde,
roda, casinha, carrinho, etc), envolvendo contato físico com outras crianças e
com a natureza, estão sendo substituídas por processos que envolvem a mera
imaginação.
O resultado disso tudo só veremos com o transcorrer do tempo, qualquer afirmação antecipada é mero discursos, filosófico, pedagógico, psicológico ou social.
Lauro