Reflexão sobre o Infinito
Vivemos no mundo físico, concreto, material, e nesse estado
determinarmos o que é o infinito reporta-nos ao mundo das idéias, do abstrato,
do imaginável.
A inteligência humana parece estar debilitava quando se
questiona sobre o infinitude, parece algo que foge do imaginável real. Essa
fragilidade justifica-se na nossa mortalidade, ou melhor, na nossa finitude,
pois tudo o que nos cerca parece ter um fim, um fim em si próprio. Como então
pensar em algo que não tenha um fim.
Observamos um rio e parece que ele corre sempre, sua água
está dia e noite fazendo seu leito, dando-nos uma idéia de que ele é infinito,
porém vem a seca e nos prova o contrário.
Determinamos então que o infinito está fora do nosso
planeta, fora do alcance de nossos sentidos, fora da nossa imaginação, se ele
realmente existe. Mas aí está a controvérsia, como pode estar fora da nossa
imaginação se estamos pensando nele?
O infinito não pode ser visto com olhos humanos, mas como
algo filosófico, imaginável e perceptível pela inteligência humana.
Podemos dividir o infinito em dois aspectos, a saber, o
infinito "Regressivo" e o infinito "Expansivo". Vejamos
melhor:
Quando uma criança pega um pedaço de papel, corta-o no meio
e consecutivamente corta uma das metades em outras duas metades e assim sucessivamente até que
consegue um pedaço tão pequeno impossível de cortar novamente, está ela
filosofando sobre o infinito, tentando dessa maneira descobrir se ele existe ou
não. Do mesmo modo, quando os cientistas (Einsten) descobriram o átomo, estavam
à busca do infinito. Do infinito num sentido regressivo.
Por outro lado, quando no filme "Contato" (no
qual uma cientista capta uma mensagem de outro planeta, esta depois de
decodificada trata-se de uma máquina capaz de sairmos do nosso planeta), surge
o questionamento sobre vida em outros lugares no universo. Uma determinada
frase tenta responder a questão consoladamente:"Se existimos somente nós
no universo, então há um tremendo desperdício de espaço".
Neste filme podemos notar a filosofia científica refletindo
sobre o infinito num sentido expansivo.
O infinito está sempre relacionado a duas grandezas
dimensionais, a saber, o tempo e o espaço. Afinal, o que mais poderia ser
infinito além do tempo e o espaço? Se pensarmos que a alma humana é infinita,
nada mais dizemos que o tempo é que é infinito, ou então quando dizemos que
nossa galáxia é apenas uma entre as infinitas existente, nada mais estamos
dizendo que o espaço que é infinito.
Nossa vida é regida pelo
tempo e pelo espaço, começamos a existir em um determinado tempo e espaço e
acabaremos em deixar de existir, como humanos vivos, em um determinado tempo e
espaço. Neste contexto surge a idéia do infinito, e como já vimos que o
infinito é o reflexo da infinitude do tempo e do espaço podemos deduzir que é
do nosso desejo descobrirmos algo sobre essas determinantes para podermos atuar
como agente ativo da nossa vida e não como sujeitos passivos da nossa
existência.
O finito e o infinito são dois extremos que se repelem,
onde um está o outro não pode estar. Desta forma, se o finito está aqui na
terra, o infinito não pode estar aqui. O tempo e o espaço estão aqui e dão o
sentido para a nossa existência, logo o infinito não pode estar no tempo e no
espaço. Precisamos aqui nos permitir a idéia de que existam outras dimensões
jamais pensadas pela mente humana, tal como, por exemplo, um tempo diferente do
nosso, como bem representa o filme "contato" já mencionado
anteriormente.
Como cientistas e filósofos já conseguimos respostas para muitas perguntas que nos afligem, porém a infinitude continua sendo um dos grandes enigmas aparentemente impossível de solução. Até parece-nos que os deuses se permitiram o direito de somente eles terem a chave desse mistério, desconfiados de que com nossa insaciável e instigante procura pelo conhecimento querermos ser deuses tal como eles.
A
geometria também pode ser levada em relevância quando a discussão almaça a tese
do infinito. Uma vez que a geometria define que uma linha nada mais é do que
uma seqüência de pontos, logo, o círculo pode nos representar uma certa idéia
do infinito, pois ele é uma seqüência "perfeita" de pontos, no qual
torna-se impossível determinar o início ou o fim. Vejamos melhor, tomado um
certo ponto como início segue-se ponto por ponto e chamais chegaremos em um
fim, ao contrário senso, a uma reta.